Emater-RS amplia as ações para mulheres


A principal empresa de extensão rural no Rio Grande do Sul, a Emater-RS, aderiu ao movimento ElesPorElas, em inglês HeforShe, lançado por organizações femininas ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), e deve intensificar o tema de gênero na estrutura de operação e no campo. As primeiras ações foram lançadas nesta quinta-feira, véspera do Dia Internacional da Mulher, em ato na sede provisória da empresa, que ocupa o prédio da extinta Fundação de Economia e Estatística (FEE), em Porto Alegre.

Atual diretora-administrativa e cotada para ser a segunda presidente na história da Emater-RS – a primeira foi Águeda Marcéi Mezomo, que atuou em 2010 no governo de Yeda Crusius (2007-2010), Silvana Dalmás diz que um dos focos será o respeito às mulheres, tanto as do quadro como as do campo, que precisam ser mais ouvidas nas decisões da propriedade, defende ela. O atual presidente da empresa de extensão, Iberê de Mesquita Orsi, disse guiou a inserção no movimento, avalia que, mesmo com a força das mulheres na propriedade, a mudança passa pela educação. Silvana está desde 2012 na instituição e até hoje, mesmo após dois governos, mantém-se na função de diretora-administrativa. Filha de agricultores familiares de Serafina Corrêa e com formação em Ciências Contábeis, a indicada mostra os desafios na campanha e da própria instituição.

Jornal do Comércio – A senhora poderá ser a segunda mulher a assumir o cargo de presidente em 60 anos de Emater. Por que é tão difícil que mais mulheres cheguem a este posto?

Silvana Dalmás – Na verdade, estou indicada para ser presidente, ainda é preciso ocorrer a oficialização pelo governo e conselho de administração da Emater-RS. Com exceção do posto de diretor-técnico, que é indicado pelo quadro, chegar à presidência depende de respaldo político, além de competência e conhecimento na área. A dificuldade está expressa nas estatísticas, que ainda mostram que os homens estão em vantagem na ocupação de cargos de direção e presidência. As mulheres estão chegando mais a estes postos, mas ainda de forma tímida.

JC – O que uma mulher pode mudar nessa relação hoje?

Silvana – A mulher ocupar espaços nos mais diversos segmentos mostra que tem capacidade de fazer uma boa gestão e exercitar a liderança. As mulheres têm uma visão mais ampla de tudo. Além disso, a nossa sensibilidade faz com que tenhamos percepção de liderança e para obter mais resultados.

JC – Quais são as demandas que a senhora deve encarar caso seja presidente?

Silvana – A Emater, mesmo sendo privada e que faz serviço público, precisa estar focada em gestão. As instituições precisam estar voltadas à gestão e otimização de recursos, já que são a maior parte dos recursos são públicos. Precisa também ter boa gestão para que a instituição Emater dê o retorno à sociedade. Temos de ser eficientes no serviço que executamos. A extensão rural tem de estar presente nas famílias para elevar a eficiência e os ganhos. Vou fazer com que a Emater exerça a sua função, que é levar desenvolvimento ao campo e até ajudar o Estado a sair da crise pela agricultura.

JC – Como vai ser o movimento Eles por Elas?

Silvana – O convite para fazer parte do movimento veio no fim de 2018. Fomos atrás de informações para entender o movimento e vimos que o trabalho que já fazemos na área de gênero no campo poderia ser ampliado para mais ações com o nosso quadro. Concordamos e fizemos nessa quinta-feira o lançamento do nosso propósito para atuar dentro da instituição e para o público assistido. Hoje temos 2.131 funcionários, sendo 1.169 homens e 962 mulheres. A questão de equidade de gênero está presente em todas as dimensões da nossa ação. Depois de mais de 60 anos de história, não tem porque não fazermos nossa parte. O foco é trabalhar os funcionários para que a mulher seja respeitada pelos colegas, assim como as agricultoras e trabalhadoras rurais, para que sejam inseridas nas decisões dos negócios da família.

JC – A agricultura tem puxado a economia gaúcha e exige mais tecnologias e principalmente apoio e capacitação de agricultores. A Emater está conseguindo atender à demanda?

Silvana – Temos acompanhado a evolução das tecnologias, e a forma de fazer isto é manter nosso corpo técnico preparado. Mas a inovação é muito dinâmica. Muitas vezes os investimentos em programas e equipamentos não consegue acompanhar o patamar que gostaríamos. Mas o quadro técnico está preparado para atender o setor. Tudo que arrecadamos aplicamos em extensão rural. A Emater faz a extensão rural e tem papel importante. Quando se fala da pujança da agricultura não se pode deixar de falar da extensão rural, que é fundamental para que o setor tenha mais produção, menos custos e mais qualidade de vida. Isso também fixa o homem no campo e evitar pressão nas cidades.

JC – Há previsão de ampliação da estrutura e mesmo de mais contratações?

Silvana – A Emater sente o impacto da recessão e da crise que atinge os governos federal e estadual e os municípios e isso afeta a nossa operação, colocando limites nos recursos para mais contratações e para aumentar o quadro. Não se vislumbra esta possibilidade em virtude da escassez de recursos.



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire