Com apenas presidentes homens, bolsa promove evento por igualdade de gênero


O piso da bolsa de valores de São Paulo foi tomado por mulheres – e alguns homens, entre eles os presidentes da B3, Gilson Finkelsztain, e do Santander, Sergio Rial. Era para o evento do Dia da Mulher promovido por 84 Bolsas ao redor do mundo, o Toque o Sino pela Igualdade de Gênero.

Entre as oito mulheres que falaram no evento, nenhuma era presidente de empresa ou presidente de conselho de administração de empresas. Havia algumas em postos de alto escalão, como Denise Pavarina, do conselho de administração da B3, e Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú.

Já entre os cinco homens, havia 4 presidentes ou diretores-presidentes de empresas do setor financeiro. É reflexo de números apresentados por todos os painelistas: apenas 10% da diretoria executiva das empresas brasileiras é formada por mulheres, diz Hills, que também é da Rede Brasil do Pacto Global.

Não que o número seja muito melhor em outras partes do mundo. Na Noruega, com melhores números, tem 16% de executivas nesses cargos, acrescentou. Por alguns recortes, o número piorou. Entre as empresas do índice S&P, caiu de 32 para 24 as presidentes mulheres, citou Ana Carolina Querino, representante interina da ONU Mulheres Brasil.

Isso apesar de todos os palestrantes enfatizarem os ganhos financeiros para empresas que têm mais mulheres em cargos de liderança. « Como ousaria deixar metade da economia para trás? », questiona Hills sobre sua luta por inclusão das mulheres na economia.

Mas o palestrante mais aplaudido foi Sergio Rial, do Santander. Ele conclamou as mulheres a não aceitar cargos de chefia em áreas de RH, Jurídico e Sustentabilidade e afirmou que, diante de propostas de promoções como essas, as mulheres deveriam questionar seus gestores do por que não estarem sendo consideradas para outros postos.

« A questão aqui é o protagonismo mais que o entorno, a vontade de querer vencer. Antes precisamos de mulheres liderando negócios, não diretoras de RH e Jurídico », afirmou.

Denise Pavarina, que passou mais de 30 anos no Bradesco e atualmente faz parte do conselho de administração da B3 acrescentou que só a cota de mulheres em conselhos não é suficiente. « Fundamental é poder contribuir, só pode contribuir alguém que tem experiência e que naquele conselho possa trazer algo », disse, em linha com Rial.

Foi também o executivo do Santander que citou o exemplo da primeira conselheira da Bolsa de Nova York, judia, que almoçava com homens e ouvia, invariavelmente piadas de judeu.

A resposta dela era o envio de um cartão após o encontro, no qual dizia « Rosas são vermelhas, violetas são azuis, e, caso você não saiba, eu sou judia. Adorei o almoço », contou, no que considerou um exemplo de como mulheres podem evitar processo de vitimização. « A discriminação pode ser usada como energia de transformação », acrescentou. 

O toque do sino ocorreu por volta das 10h15 ao som de « Maria, Maria ».

Presentes na foto, da esquerda para direita: Gilson Finkelsztain, Presidente da B3; Denise Pavarina, membro do conselho de administração da B3; Denise Hills, Presidente da Rede Brasil do Pacto Global e superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú; Adriana Carvalho, gerente da ONU Mulheres para os Princípios de Empoderamento das Mulheres; Hector Gomez Ang, gerente geral da IFC para o Brasil; Cécile Mérle, primeira secretária da delegação da União Europeia no Brasil; Ana Carolina Querino, representante da ONU Mulheres; Sergio Rial, CEO do Santander; Sergio Wilson Ferraz Fontes, Diretor-Presidente da Fundação Real Grandeza; e Denise Hills, Presidente do Board da Rede Brasil do Pacto Global e Chief Sustainability Advisor do Itaú Unibanco



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