Dólar sobe com desconforto sobre articulação política e Previdência


O dólar opera em alta no mercado doméstico nesta quinta-feira (21). A estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, diz que apesar do tom favorável do Fed e do Copom nessa quarta-feira (20), o noticiário político mostrando insatisfação do Congresso com o Executivo e ainda a pesquisa Ibope indicando que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro caiu 15 pontos percentuais desde janeiro (de 49% para 34%) pesam na busca de proteção do investidor nesta manhã.

Em relação ao projeto de lei de mudança na carreira e nas aposentarias de militares, ele prevê uma economia líquida de R$ 10,45 bilhões em 10 anos, ante uma economia total pretendia pela equipe econômica com a Nova Previdência de, ao menos, R$ 1 trilhão.

Às 10h37min, o dólar à vista avançava 0,09%, aos R$ 3,767.

A percepção nas mesas de operação é de que o sacrifício dos militares pode ficar abaixo do esperado em relação a outras categorias, o que pode dificultar as negociações no Congresso. Também a indicação do relator para a proposta de reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça pode ficar para a semana que vem, atrasando ainda mais a tramitação da reforma. O presidente do colegiado, Felipe Francischini (PSL-PR), ainda avalia possíveis nomes, mas enfrenta resistências e avalia o momento político.

« Qualquer coisa que abale a perspectiva sobre o pilar principal, que é reforma da Previdência, acaba contaminando o humor. O que está pegando é a sensação de que os deputados não estão tão junto assim com o governo, de tal forma que isso traz risco para a aprovação da reforma », comenta a estrategista.

O operador da corretora Renascença, Luis Felipe Laudisio dos Santos, comenta em relatório que o humor do mercado mudou nessa quarta ao longo da tarde com a apresentação da reforma dos militares, com economia prevista de R$ 10,45 bilhões, inferior ao que o mercado aguardava.

Dito isso, segundo ele, os investidores estrangeiros mais uma vez foram o grande destaque nessa quarta, zerando posição comprada em 29 mil contratos com Fundos Nacionais e Bancos na contraparte com 14.175 e 13.600 contratos respectivamente. Nesta quinta, apesar das moedas de alguns emergentes seguirem em terreno positivo, ainda seguimos vendo reverberar a repercussão quanto a reforma dos militares, com diversos parlamentares criticando e também mal-estar com Rodrigo Maia.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse à BandNews, nesta quarta-feira (20) à noite, que é « bem possível » conseguir a aprovação dos deputados até julho. « Se não organizar até julho, não é um bom sinal », disse o parlamentar.

Antes dessa entrevista, porém, Maia havia se reunido no Ministério da Economia com o ministro Paulo Guedes e o secretário especial da Previdência, Rogério Marinho. Ao deixar o prédio, Maia afirmou que a articulação do governo com o parlamento está caminhando, mas « ainda peca ».



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