Bolsas de Nova Iorque fecham em forte queda com investidor aflito com possível recessão


As bolsas de Nova Iorque fecharam com expressivas quedas nesta sexta-feira, 22, motivadas pela crescente preocupação dos investidores com o cenário de desaceleração global após a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial nos Estados Unidos e o achatamento da curva de rendimentos dos Treasuries americanos.

Na Bolsa de Valores de Nova Iorque (Nyse), o índice Dow Jones fechou em queda de 1,77%, aos 25.502,32 pontos, o S&P 500 caiu 1,90%, aos 2.800,71 pontos, e o Nasdaq apresentou a queda mais acentuada, de 2,50% aos 7.642,67 pontos. Na comparação semanal, Dow Jones caiu 1,13%, S&P caiu 0,53% e Nasdaq caiu 0,18%.

O índice VIX, considerado o « medidor de medo » de Wall Street, terminou o pregão com salto de 20,91%, a 16,48 pontos, depois de ter atingido ganho de mais de 28% na máxima do dia, mas ainda abaixo da marca dos 20 pontos, o que, para analistas do UBS, ainda indica um ambiente positivo para os negócios.

A inversão de parte da curva de rendimentos dos Treasuries gerou novos temores sobre uma possível recessão nos Estados Unidos. O spread entre a T-bill de três anos e a T-note de dez anos (referência usada pelo Federal Reserve, Fed, o banco central americano) se tornou negativo pela primeira vez desde 2007, ano anterior à grave crise econômica de 2008.

Tom Garretson, estrategista de renda fixa da RBC Wealth Management, afirma que « não podemos ignorar o risco crescente da recessão, mas por enquanto isso é motivado em grande parte pelas preocupações com o crescimento global. Se a economia mundial pegar um resfriado, não estaremos imunes ».

O presidente da distrital de St. Louis do Fed, James Bullard, no entanto, minimizou as preocupações do mercado em entrevista ao Wall Street Journal. O dirigente disse que a inversão da curva de juros foi « ligeiramente preocupante », mas que ele continua otimista em relação ao crescimento econômico dos EUA.

Na esteira dos indicadores preocupantes, os dados da produção industrial dos EUA, do Japão e da Alemanha contribuíram ainda mais para ampliação das perdas e para o aprofundamento das preocupações com a economia global. O PMI industrial alemão, assim como o japonês, mostrou contração. Nos EUA, o resultado tocou o menor nível em 21 meses. O subíndice do setor de materiais do S&P 500 foi o campeão das perdas, caindo 2,99%.

Entre as ações que mais se destacaram, as instituições financeiras, afetadas pelo achatamento da curva e pelo tom mais « dovish » do que o esperado na mais recente reunião de política monetária do Fed. O Citi liderou as perdas do setor, caindo 4,15%, seguido pelo Bank of America (BofA), que perdeu 4,58%. Neste sentido, o subíndice do setor financeiro ficou em segundo lugar nas maiores perdas do dia, em queda de 2,77%.



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