Antecipações de Imposto de Renda e 13º já estão disponíveis


Com o início da entrega das declarações do Imposto de Renda (IR), chegaram, também, as ofertas de antecipação da restituição pelos bancos. Junto a outro produto semelhante, a antecipação do 13º salário, que normalmente é oferecida durante todo o ano, são créditos mais baratos do que outras linhas sem garantias, e, por isso, muitas vezes utilizadas como botes salva-vidas por quem está com problemas financeiros. Seu uso, entretanto, deve ser estudado com calma por quem pretende contratá-los.

A grande parte das ofertas de crédito pelos bancos teve início nos últimos dias, acompanhando o calendário das entregas à Receita Federal. Em geral, as instituições disponibilizam a linha de antecipação do IR para quem indica conta na própria instituição para a restituição. Os valores máximos variam a cada banco, e há outros limites como a porcentagem do total que pode ser tomado (de 75% a 100% da restituição calculada na declaração). No caso do 13º, o produto também é oferecido para quem já recebe seu salário na instituição financeira.

A maior atratividade desses créditos é o juro mais baixo do que linhas comuns. As taxas da antecipação do IR variam de 1,75% a 2,5% ao mês entre os bancos, algo possível, segundo as financeiras, pelo fato de haver uma garantia. « A inadimplência na linha do IR é baixa, menor do que nas linhas tradicionais », garante o gerente executivo da diretoria de empréstimos do Banco do Brasil (BB), Paulo Henrique dos Santos. O banco oferece até 100% da restituição, limitado a R$ 20 mil, com juros que partem de 1,79%.

Outro benefício do produto é o pagamento único, feito de forma automática no momento em que a restituição é depositada pela Receita na conta do contribuinte. « Como não tem parcelas, não impacta o fluxo nem o limite de crédito do cliente », conta Santos. O maior risco da contratação é a possibilidade de não recebimento da restituição – ou do salário, no caso do 13º -, situação em que o débito é feito na data-limite na conta do cliente. Essa data, entre novembro e janeiro, varia conforme o banco.

Por conta dos juros mais baixos, uma das principais recomendações de uso dessas linhas é para quem sofre com dívidas com taxas muito mais altas, como o cheque especial, por exemplo. No caso do BB, Santos conta que 65% das contratações são usadas para esse fim.

« Serve, também, para quem não tem mais margem para outros créditos », acrescenta o gerente regional de Pessoa Física da Caixa, Rafael de Lucca, lembrando, porém, que não é exigida finalidade específica para os empréstimos. A Caixa disponibiliza até 75% da restituição, com taxas a partir de 2,10% ao mês.

Educador financeiro, Reinaldo Domingos acrescenta outra possibilidade, que é o financiamento para a aquisição de um bem com grande desconto para pagamento à vista. « Mas é preciso ter consciência na tomada de crédito. Não é um bicho de sete cabeças, mas deve se evitar mais juros onde não precisaria », afirma Domingos, que lembra que é preciso ter um plano B para o caso de o contribuinte cair na malha fina ou perder o emprego. « Se não, acaba caindo no cheque especial no fim do ano quando houver a cobrança », afirma. Para os endividados, Domingos acrescenta que a antecipação pode ser um paliativo, mas que a causa real do problema (gastos acima da renda, por exemplo) deve ser buscada, evitando que a situação se repita meses depois.

Acompanhando o ritmo de entrega das declarações de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física, as contratações de antecipações da restituição têm crescido nas primeiras semanas de oferta. No Banco do Brasil, segundo o gerente executivo da diretoria de empréstimos do banco, Paulo Henrique dos Santos, os empréstimos feitos nos primeiros dias do período de entrega cresceram 73% em relação a 2018.

« Está em um ritmo mais acelerado », afirma Santos, que, embora não credite a situação a algum fator específico, especula que pode ser fruto de maior planejamento ou mesmo de necessidade. « Naturalmente, porém, a velocidade coincide com as entregas das declarações à Receita », acrescenta o gerente, que projeta crescimento entre 7% e 10% no produto em 2019.

De acordo com os dados da Receita, as transmissões têm praticamente dobrado em relação ao ano passado. Apenas no primeiro dia do prazo, por exemplo, foram entregues 490 mil declarações, contra 247 mil em 2018. Nos oito primeiros dias, as transmissões de declarações cresceram de 1,7 milhão no ano passado para 2,8 milhões neste ano.

« Quanto mais cedo fizer a declaração, mais rápido o contribuinte recebe a sua restituição e menos juros pagará na operação de antecipação », recomenda o gerente regional de Pessoa Física da Caixa, Rafael de Lucca, que conta ainda que, historicamente, os pedidos de antecipação no banco acontecem com mais intensidade a partir de abril.

 



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire