Dólar sobe 4% em março e tem maior alta mensal desde agosto de 2018


O dólar fechou março acumulando alta de 4,33%. Foi a valorização mensal mais alta desde agosto de 2018, quando a moeda americana subiu 8,23% em meio às incertezas antes das eleições. O aumento das preocupações sobre os rumos da reforma da Previdência no Congresso, aliado a um cenário externo mais desafiador, pressionou o câmbio ao longo de várias sessões. Nesta sexta-feira (29), o dólar fechou praticamente estável, a R$ 3,9160 (-0,01%). Apesar da redução da tensão política em Brasília, com a promessa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, de tocarem a reforma da Previdência, o tom de cautela predomina nas mesas de operação.

Na semana, o dólar acumulou alta de 0,37%, mas o número não reflete o nervosismo de alguns dias, quando a moeda americana superou R$ 4,00 e voltou a patamares de antes das eleições em meio a uma série de notícias negativas, com a troca de farpas entre Maia e o presidente Jair Bolsonaro. No primeiro trimestre, o dólar subiu 1,05%.

Nesta sexta-feira, o pregão foi volátil, pressionado pelo vencimento da Ptax de março e do trimestre, que servirá de referência para contratos comerciais e balanços de empresas. O indicador fechou em queda de 1,80%, a R$ 3,8967. Na disputa entre comprados e vendidos, o dólar chegou a cair a R$ 3,86 pela manhã, mas passado o horário de definição do referencial pelo Banco Central o câmbio ficou mais pressionado e bateu máxima, operando na casa dos R$ 3,91.

O operador da Necton Investimentos, José Carlos Amado, destaca que passada a disputa pela definição da Ptax, o mercado voltou a se focar nos eventos e fundamentos e o clima de cautela persistiu. « Existe ainda muita desconfiança », disse ao falar do clima político em Brasília. A incerteza alta dificulta a manutenção de uma tendência, acrescenta ele. Na próxima quarta-feira (3), Guedes deve ir na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para a audiência pública sobre a reforma da Previdência. O relator do texto, o Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG), prometeu entregar seu parecer no dia 9.

« O real passou por forte pressão nos últimos dias », destaca a analista em Frankfurt do mercado de moedas do banco Commerzbank, You-Na Park. « Em parte, isto reflete a crescente preocupação das mesas de câmbio de que a aprovação da reforma da Previdência pode não ser tão tranquila como o esperado », observa ela, destacando que Bolsonaro tem sido criticado por não fazer « esforços suficientes » para trazer o Congresso para seu lado.

Para a analista do Commerzbank, há exagero na preocupação do mercado com a Previdência. « Ainda estamos no começo do processo de tramitação e o trabalho de fato ainda nem começou », completa ela. You-Na Park não acredita que o dólar deve voltar a superar o nível de R$ 4,00 de forma sustentável. Para isso, a relação entre Bolsonaro e o Congresso tem que piorar muito.



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