Bolsas de Nova Iorque sobem com comércio EUA-China no radar


Os mercados acionários americanos encerraram a sessão desta quarta-feira (3), em alta, embora longe das máximas do dia, com apoio do renovado otimismo dos agentes com as negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Em Washington, a delegação chinesa comandada pelo vice-primeiro-ministro Liu He tem conversas com autoridades americanas em um cenário no qual a imprensa aponta que a maior parte das questões comerciais entre os dois países foi resolvida. Indicadores acima do esperado na China e na Europa também contribuíram para apoiar a busca por ativos considerados mais arriscados, mas novos sinais de fraqueza em solo americano voltaram ao radar após a atividade do setor de serviços nos EUA desapontar em março.

Não foi por acaso que as fortes altas em solo europeu não foram seguidas em Nova Iorque, onde o índice eletrônico Nasdaq mostrou o melhor desempenho entre os principais indicadores americanos ao subir 0,60%, para 7.895,55 pontos. Em Wall Street, o índice S&P 500 avançou 0,21%, para 2.873,40 pontos; e o Dow Jones ganhou 0,15%, para 26.218,13 pontos.

O pregão desta quarta foi marcado por um movimento técnico que deu apoio tanto ao S&P 500 quanto ao Nasdaq. Nesta quarta, a média móvel de 50 dias dos dois indicadores ultrapassou a média móvel de 200 dias, um fenômeno conhecido como « golden cross », que, para muitos analistas, indica que os mercados passarão por uma transição de bearish market para bullish market. Maior corretora independente dos EUA, a LPL Financial espera que o S&P 500 chegue ao fim do ano com 3 mil pontos e destacou que abril pode ser um mês no qual os ganhos das bolsas nova-iorquinas terão continuidade, tendo em mente o forte desempenho histórico das ações em abril.

No pano de fundo para a nova rodada de alta em Wall Street esteve a nova rodada de negociações comerciais sino-americanas, agora em Washington. Liu He voltará a se encontrar com o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e com o representante comercial americano, Robert Lighthizer, para discutir questões comerciais e estruturais à medida que os americanos exigem que Pequim abra seu sistema financeiro e solucione problemas relatados por empresas dos EUA quanto ao roubo de propriedade intelectual. De acordo com o Financial Times, 90% das questões referentes a um acordo entre as duas partes estão resolvidas, mas os 10% finais configuram a parte mais difícil das conversas.

A perspectiva de que o impasse em torno do comércio sino-americano está se desfazendo deu apoio a ações de empresas de tecnologia, como Intel (+2,02%) e Apple (+0,69%), que têm sido afetadas pelas disputas tarifárias. O setor industrial, porém, apresentou perdas capitaneadas por Boeing (-1,54%), Caterpillar (-0,66%) e General Electric (-1,37%), apesar da recuperação da atividade do setor de serviços na China, na Alemanha e na zona do euro como um todo. Isso porque nos EUA, o índice de atividade de serviços elaborado pelo Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) caiu mais do que o esperado, ao passar de 59,7 pontos em fevereiro para 56,1 pontos em março.

« Esperamos que a fraqueza econômica nos EUA tenha impacto sobre o mercado de ações. O S&P 500 se recuperou quase totalmente do tombo sofrido no fim do ano passado, mas não achamos que ele continuará em trajetória ascendente, já que o crescimento da economia americana está em desaceleração », apontou Nikhil Sanghani, da Capital Economics, em relatório enviado a clientes.



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