Especialistas debatem uso de big data para identificar oportunidades de mercado


« Coletar dados todo mundo faz, mas analisar e entender o que eles dizem é o que traz conhecimento. » A frase é de Jaime de Paula, CEO e fundador da Neoway – empresa de Florianópolis (SC) que usa big data e inteligência artificial (IA) para viabilizar negócios -, e se torna certeira quando já não basta a facilidade de acesso a informações de clientes. É preciso saber usá-las para extrair bons resultados delas.

Considerada uma das maiores players de inteligência de mercado da América Latina, a empresa aposta em gerenciar os dados e, a partir deles, conseguir chegar exatamente no cliente potencial. Aqui o foco é « business to business », ou empresa para empresa, e portanto o maior ganho é conhecer quem é o alvo principal e traçar o perfil de compra de cada um.

Jaime de Paula diz que o maior objetivo é fazer com que as empresas conheçam a sua audiência. Para o CEO, mais do que levantar dados, é preciso cruzar o que se aplica ao mundo offline e mapear qual o verdadeiro mercado potencial. « As empresas não podem terceirizar o seu conhecimento », sentencia o CEO.

A partir de informações públicas, é possível mapear endereços e menus de restaurantes, por exemplo, e com isso mapear exatamente onde estão os compradores potenciais para determinado produto do mercado, desenha Jaime de Paula.

Já são mais de mil clientes da Neoway hoje, entre eles grandes bancos como Santander, HSBC e Itaú, e empresas de tecnologia como Microsoft e da indústria automotiva, como a Volkswagen.

A empresa não divulga faturamento, mas projeta crescer 50% em 2019, repetindo o mesmo feito do ano passado. Além da capital catarinense, possui escritórios em São Paulo e Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Recriando a expertise de mais de dez anos no mercado, a Neoway está lançando novos produtos durante o Data Driven Business 2019, convenção anual da empresa que ocorre no Costão do Santinho, em Florianópolis, e que apresenta resultados de sucesso obtidos com a inteligencia artificial.

Com as novas ferramentas Neoway Digital e On Target, é possível descobrir os mercados potenciais de cada empresa, listando uma espécie de ranking das empresas que tem mais similaridade com o negócio e, portanto, facilitando a área de atuação. Esse recorte permite definir onde vender determinado produto, em qual quantidade e para qual perfil.

Um dos casos de maior impacto da inteligência dos dados afetou diretamente o valor de anuidade do seguro DPVAT em todo o País, que, para automóveis particulares, por exemplo, baixou de R$ 41,40 para R$ 12,00 este ano, redução de 71%. A tecnologia permitiu à Seguradora Líder, operadora do DPVAT, monitorar a existência de fraudes na obtenção do seguro. O sistema avaliou pedidos de sinistros e fez uma análise por amostragem para descobrir onde haveria fraude ou não. Cruzando-se os pedidos com históricos de condenação por fraude obtidos de processos judiciais públicos, chegou-se a um esquema no Sergipe, onde 500 casos tinham a mesma testemunha e o mesmo advogado.

Uma perda significativa no número de clientes levou o Grupo Ultra, dono de marcas como Ultragás e Postos Ipiranga, a repensar suas estratégias de presença no mercado. A partir do mapeamento de dados, o grupo descobriu falhas e eliminou gargalos na venda de lubrificantes.

As informações obtidas com dados de notas fiscais, por exemplo, permitiram mapear o potencial de consumo por município, impactando diretamente as vendas. O resultado foi surpreendentemente positivo: redução de 46% na retenção média de clientes (que tinham tendência a deixar de comprar) e aumento de 8,6% no faturamento da Iconic Lubrificantes até fevereiro de 2019.

O caso foi um dos exemplos apresentado no palco do Data Driven Business 2019, promovido pela Neoway em Florianópolis. « Sabendo o potencial de consumo, é possível montar um mapa e direcionar a força das vendas, dimensionando até mesmo o tamanho das frotas que distribuirão o produto », explica Matheus Nogueira, do Grupo Ultra.

Com os dados em mãos, uma equipe de estatística da empresa trabalhou as informações e criou diversas variáveis para determinar volume de compras e a frequência delas por segmentos estabelecidos. Segundo Nogueira, o fundamental para as empresas é, primeiro, entender quem é o seu cliente e o seu perfil de compra. Com as ferramentas corretas e sabendo ler esses dados, o resultado vem.



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire