Dólar sobe com ruídos políticos, mas desacelera puxado por exterior


O mercado de câmbio doméstico praticamente ignora a persistente baixa do dólar no exterior e opera a moeda americana em alta em relação ao real nesta terça-feira (9). No dia em que será lido o parecer do relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, investidores ajustam posições em meio a vários ruídos políticos.

Às 10h23min desta terça-feira, o dólar à vista subia 0,04%, aos R$ 3,8576, após bater máxima em R$ 3,8581 (+0,22%). O dólar futuro para maio desacelerava e exibia leve alta, aos R$ 3,8560 (+0,01%), ante máxima em R$ 3,8640 (+0,22%).

O operador de uma corretora afirmou que o mercado ainda ecoa a percepção de que o presidente Jair Bolsonaro, ao escolher Abraham Weintraub para a Educação na vaga aberta pela demissão de Vélez Rodriguez, perdeu uma janela de oportunidade para ampliar apoios políticos no Congresso, caso tivesse aceitado negociar uma indicação política. A Coluna do Estadão informa que, ao optar pelo economista, discípulo de Olavo de Carvalho e bolsonarista, o sinal do presidente é de que continuará tendo como prioridade a « guerra cultural », mesmo com o desgaste de sua imagem registrado pelas pesquisas.

Também o afastamento do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), da articulação política da reforma da Previdência e ainda a postura de Bolsonaro de insistir em jogar sobre o Parlamento a responsabilidade pela tramitação e aprovação do texto realimentam cautela, afirma a fonte. A desidratação da reforma é outra preocupação.

Maia reafirmou nesta segunda-feira, 8, que as mudanças no BCP e na aposentadoria rural devem sair do texto, enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que, se não conseguir fazer a capitalização, não será uma derrota para ele e que « não sairá na primeira derrota », numa sinalização ao mercado.

A proposta da equipe econômica prevê uma economia de cerca de R$ 1 trilhão em dez anos. Porém, já se cogita dentro do próprio governo uma economia menor, entre R$ 700 bi e R$ 800 bilhões – ou ainda um valor abaixo disso.

Também a crise de gestão do governo não cessa e agora as atenções se voltam para Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), cujo presidente, Mário Vilalva, classifica como « golpe » a mudança no estatuto do órgão feita pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

O jornal O Estado de S. Paulo mostrou na quarta-feira passada (3) que, de um lado está o presidente da agência, que seria aliado dos militares, e do outro a diretora de Negócios, Letícia Catelani, e o diretor de Gestão, Márcio Coimbra, os dois indicados por Araújo, que por sua vez é ligado a Olavo de Carvalho.

Lá fora, o índice do dólar (SXY) segue em baixa e a moeda americana também recua frente à maior parte das divisas de países emergentes exportadores de commodities em reação a novos estímulos à economia da China e com a percepção de que os juros norte-americanos devem permanecer estáveis por período longo.



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire