Empresa chinesa compra ativos da TAP M&E em Porto Alegre


A chinesa Flightparts comprou os ativos da TAP Manutenção & Engenharia (TAP M&E) em Porto Alegre. A negociação, antecipada pelo Jornal do Comércio em dezembro passado, foi fechada em fim de janeiro e confirmada nesta quinta-feira (11) pela direção no Brasil da empresa portuguesa de manutenção na aviação. A aquisição, cujo valor não foi revelado pela TAP M&E, envolve equipamentos, ferramentas e estoques das oficinas de manutenção de motores e trens de pouso que funcionavam nos prédios dentro da área do Aeroporto Internacional Salgado Filho.

Para reativar a operação, a Flightparts terá de firmar contrato com a Fraport Brasil, companhia de origem alemã que é a atual concessionária e que responde pelos imóveis, ou buscar outra localização. Os materiais estão ainda nas instalações. A alemã disse que « não há negociação vigente entre Fraport e Flight Parts ». O JC solicitou mais informações ao grupo chinês, com sede em Xiamen. Ex-funcionários da operação alimentam a expectativa de retorno ao trabalho. A mão de obra tem alta especialização.

A presidente da TAP M&E, que tem sede no Rio de Janeiro, Gláucia Loureiro, diz que a empresa havia demitido todos os funcionários na unidade gaúcha, desativada em fim de dezembro de 2018, depois de atender aos últimos contratos de manutenção. Em 31 de janeiro passado, Gláucia disse que a empresa devolveu os prédios à Fraport. Em dezembro, a TAP M&E removeu marcas e placas do local, que fica em frente à pista de pousos e decolagens, ao lado da área onde está o empreendimento Boulevard Laçador.

As oficinas chegaram a ter mais de 3,5 mil trabalhadores na década de 1990 quando ainda eram da VEM, empresa de manutenção ligada à antiga Varig. A TAP M&E comprou a VEM em 2005. Em meados de 2018, o número de empregados era de 350. Após demissões, o número despencou a menos de 50 em dezembro. A empresa oficializou em outubro que desativaria a unidade. Gláucia explicou que parte dos remanescentes foi transferida para o Rio de Janeiro (10 a 15 pessoas) e Portugal (outras 20), todos de manutenção.  

Ao lado dos hangares e galpões que a TAP M&E operava há ainda um imóvel que é da portuguesa onde fica a área de tecnologia da informação (TI), onde são mantidos computadores. Uma empresa terceirizada faz a assistência ao serviço que dá suporte à sede do Rio. A presidente informou que a estrutura de TI será desmobilizada, e o prédio deve ser vendido ou alugado, mas não há data ainda de quando isso ocorrerá.

« Vamos concentrar a operação no Rio, onde estão nossos principais clientes, fortalecendo a estrutura com 450 funcionários », projetou a executiva. Contratos que eram atendidos em Porto Alegre foram cancelados e muitos transferidos para o Rio. A companhia Azul era um dos clientes em Porto Alegre. As oficinas da TAP M&E na capital gaúcha são especializadas em aviônica e trens de pouso. Com as duas unidades, a portuguesa se posicionava como a líder em manutenção de aviões na América Latina.   

A compra dos ativos na capital gaúcha chegou a ter outro interessado no páreo. A francesa Thales, de componentes e serviços de aviação, fez proposta para herdar os equipamentos. « Acabamos fechando com os chineses, que se empenharam mais e tiveram mais celeridade. Tínhamos muita pressão do tempo », comentou Gláucia. A pressa tinha a ver com a devolução da estrutura à Fraport e a disponibilidade de recursos para investir na operação no Rio. « Estamos reestruturando e ampliando o parque industrial, dando treinamento e fortalecendo a unidade », completa a presidente.



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