Fashion Revolution mobiliza adeptos da moda sustentável em Porto Alegre


O Fashion Revolution começou pequeno. Criado há seis anos, depois que um prédio que abrigava confecções de roupas desabou em Bangladesh – no dia 24 de abril de 2013, deixando mais de 1.100 mortos e 2.500 feridos, o movimento cresce a cada ano. Em Porto Alegre, há três anos era um movimento exclusivo em algumas universidades. Nesta edição, que acontece na próxima semana, de 22 a 27 de abril, o circuito estará em diferentes locais e mobiliza marcas, estudantes, trabalhadores e consumidores.

Todas as atividades da Semana Fashion Revolution são gratuitas e estão inseridas em um cenário mundial de ações que acontece em mais de 100 países. No Brasil está em 50 cidades. “A ideia é reunir pessoas para debater sobre temas relacionados à moda e à sustentabilidade, incentivar a transparência na cadeia produtiva da moda e a conscientização sobre o consumo”, explica Lívia Duda, coordenadora local do Fashion Revolution em Porto Alegre.

Conforme Lívia, o movimento surgiu de uma tragédia, e a partir disso houve uma mobilização, em Londres, de pessoas ligadas à moda e que buscam a transparência dentro da cadeia fashion. “Na moda, mesmo que exista o glamour e a vaidade, há um lado bem obscuro. E é esse lado que começou a ser visto e ganhar visibilidade a partir da tragédia do Rana Plaza. O dia 24 de abril ficou conhecido como o Fashion Revolution Day, dia em que há uma mobilização”, afirma a coordenadora.

Nesta data, as pessoas vestem a roupa do avesso, com a etiqueta com o nome da marca aparecendo na frente, e postam uma selfie com a seguinte hashtag: #quemfezminhasroupas. Desta forma, ressalta Lívia, é possível exigir que as marcas comecem a revelar seus processos produtivos. “Não é de hoje que vemos denúncias do Ministério Público e de marcas que recebem multas por trabalhos análogos à escravidão e péssimas condições de trabalho”, frisa.

Lívia explica que nesta edição o Fashion Revolution trabalha três pilares de mudança: cultural, industrial e política. Na questão cultural, ela exemplifica com o envio, por parte de grandes redes de varejo em todo o mundo, de sobras de roupas para locais pobres como a África, a preços mínimos. “O povo está deixando de consumir suas roupas, com sua etnia e sua cultura, porque aquela peça que chega tem um menor custo”, afirma. “Na questão política, queremos trabalhar a responsabilidade em relação aos resíduos e descartes”, diz Lívia. Segundo ela, volumes gigantescos são enviados para os aterros, e a ausência de uma política de resíduos sólidos focada nos têxteis faz com que o descarte não seja correto. “No viés industrial também precisamos da tecnologia para fazer estas mudanças rumo a uma moda mais transparente, consciente e menos poluente”, completa.

O evento principal em Porto Alegre será na quarta-feira, 24 de abril, a partir das 19h, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (Rua dos Andradas, 1223). O painel “Fash Rev Day: Olhares para uma Revolução na Moda” terá mediação de Karine Freire, coordenadora da pós-graduação em moda da Unisinos.

Nelsa Nespolo, diretora-presidente da Justa Trama, falará sobre a cooperativa que abrange toda a cadeia produtiva da moda, desde o plantio do algodão orgânico até a confecção e a comercialização das peças. A jornalista Silvia Marcuzzo abordará a mobilização pela sustentabilidade e sobre o POA Inquieta, movimento coletivo para transformar a cidade de Porto Alegre.

A valorização da cultura afro-brasileira a partir da moda e o Fashion Black – evento que já teve duas edições na capital gaúcha e reuniu representantes da moda afro de todo País, serão comentados pela historiadora e estilista Claudia Campos. O bate-papo terá ainda a participação da consultora ambiental Fabíola Pecce, fundadora da Pasárgada – Oficina de Sustentabilidade, que promove a cultura do lixo zero.



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire