Em recuperação judicial, Oi aprova alta de 114% nos salários do Conselho de Administração


Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), os acionistas da Oi, hoje formado em sua maioria por antigos credores, deram aval ao aumento de 113,85% na remuneração de seus membros do Conselho de Administração. É a primeira iniciativa do gênero desde que a tele carioca teve seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores, em dezembro de 2017. Assim, o valor total a ser pago aos 11 integrantes chega a R$ 14,67 milhões, montante que inclui honorários e renda variável (através de um programa chamado Incentivo de longo prazo com encargos atrelados a ações da empresa). Desse total, 44% está atrelado a esse incentivo com base em papéis da tele.

Mas, apesar de aprovado, o aumento não será aplicado por enquanto, pois depende do aval do juiz da 7ª Vara Empresarial, Fernando Viana. Na Assembleia, os conselheiros se comprometeram a esclarecer ao juiz os detalhes sobre esse programa de incentivo. Na AGE, foi lido o parecer do Ministério Público do Estado do Rio (MP), que recomendou a « não aprovação » do aumento da remuneração dos conselheiros. Foi lido ainda a decisão do juiz Fernando Viana, que considerou o parecer do MP procedente.

Segundo a Ata da Assembleia, o presidente da Assembleia, Eleazar de Carvalho Filho, consignou que a luz da manifestação do Ministério Público e da decisão judicial, ora lidos, o Conselho de Administração, em respeito ao MP e à decisão judicial, prestará os esclarecimentos ao Ministério Público e ao juiz e que tais matérias serão implementadas após nova decisão judicial. A remuneração dos conselheiros foi aprovada por 84,74% dos votos válidos.

Os membros do Conselho foram indicados pelos atuais acionistas com base em uma lista preparada por empresas de recursos humanos contratos pela Oi, como prevê o plano de recuperação judicial da Oi. O maior deles, o fundo Golden Tree, tem 16,29% dos papéis da tele. Em seguida aparecem York Global Finance Fund, com 11,5%, Brookfield (8,8%) e Solus (7,8%). Assim, os quatro maiores fundos têm quase um quarto do total da tele. Doa 11 membros, todos foram indicados pelos novos acionistas da empresa.

Segundo uma fonte do setor, os conselheiros alegam que é preciso uma maior remuneração por conta do atual momento de recuperação judicial da Oi, que vem enfrentando um severo corte de custos para conseguir manter seu nível de investimento em torno de R$ 4 bilhões por ano, patamar ainda abaixo dos concorrentes, que oscila por volta de R$ 6 bilhões anuais. Os conselheiros alegam que esse tipo de aumento na remuneração é de praxe no mercado acionários dos Estados Unidos. Do outro lado, alguns acionistas minoritários criticaram a aplicação da medida.

– É uma medida polêmica, mas eles alegam que vem dando expediente diário na Oi, embora a diretoria executiva tenha aberto mão dos bônus, por isso teve seu pagamento proposto para esse em 41%, para um total de R$ 43,9 milhões – disse essa fonte.

Fazem parte do Conselho, Eleazar de Carvalho Filho (presidente), Marcos Grodetzky (vice-presidente), Henrique José Fernandes Lux, José Mauro Mettrau, Marcos Rocha, Maria Helena dos Santos, Paulino do Rego, Ricardo Pinho, Rodrigo Abrteu, Roger Solé e Wallim Cruz Junior.



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