Crise na Venezuela já aparece no preço do petróleo, mas tem pouco efeito no Brasil


A atual crise política na Venezuela tem pouco efeito sobre os preços dos combustíveis no Brasil. No último mês, a cotação do petróleo no mercado internacional chegou a escalar quase 10%, o que levou a Petrobras a reajustar o preço da gasolina três vezes nas refinarias. O último aumento, de 3,5%, ocorreu na segunda-feira.

A escalada do petróleo é resultado da pressão de Donald Trump sobre os países que consomem óleo do Irã. O país está sob embargo desde novembro, mas os EUA ameaçam começar a punir os países que seguem comprando petróleo iraniano a partir deste mês.

Embora esteja sobre uma das maiores reservas do mundo, a Venezuela produz cerca de um quarto do que já extraiu no passado, segundo Adriano Pires, diretor do Cbie (Centro Brasileiro de Infraestrutura). Estima-se que o país produza hoje menos de 1 bilhão de barris/dia, em razão da falta de investimentos provocada pela instabilidade.

A turbulência da ditadura de Nicolás Maduro já está refletida nas atuais cotações do petróleo, afirma Pires. A opinião é compartilhada por quadros técnicos do governo, que acompanham os acontecimentos na Venezuela e as cotações internacionais do petróleo.

« A crise na Venezuela, na verdade, faz com que o preço do petróleo não caia », disse Pires.

Caso o regime mude de mãos e Maduro deixe o comando do país, o mais provável é que as cotações do petróleo caiam, acrescenta o analista, em razão da perspectiva de retorno de investimentos e maior produção.

Para o Brasil, isso poderia significar menor pressão para a Petrobras reajustar os preços nas refinarias, reduzindo o risco de greve de caminhoneiros. « O governo brasileiro é o único acionista de petroleira do mundo que acha ruim quando o petróleo sobe », disse Pires.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o agravamento da turbulência política na Venezuela poderia resultar em alta de preços no Brasil. Enquanto a crise política da Venezuela não tem um desfecho, a Petrobras tem um problema mais imediato à frente.

Caso seja mantida a atual regra de reajuste para o diesel, a estatal deverá anunciar um novo aumento do combustível nos próximos dias. O último reajuste ocorreu após a interferência do presidente em 18 de abril, e a Petrobras se comprometeu em corrigir o preço do combustível em intervalos pouco superiores a 15 dias.

O prazo vence hoje e, segundo Pires, é preciso corrigir os preços internos para adequá-los às cotações internacionais. A defasagem calculada na última segunda-feira variava entre R$ 0,09 e R$ 0,15.

A Petrobras informou que finalizou, por meio de sua subsidiria Petrobras America Inc. (PAI), a venda de 100% de suas aes nas empresas que compem o sistema de refino de Pasadena, nos Estados Unidos, para a empresa Chevron U.S.A. Inc. (Chevron).

O fechamento da transao ocorreu ontem com o pagamento pela Chevron para a PAI de US$ 467 milhes (cerca de R$ 1,8 bilho), sendo US$ 350 milhes pelo valor das aes e US$ 117 milhes de capital de giro, que ser ajustado posteriormente para refletir a posio da data do fechamento.

« Esta operao est alinhada otimizao do portflio e melhoria de alocao do capital da companhia, visando a gerao de valor para os nossos acionistas », afirmou a estatal em fato relevante enviado Comisso de Valores Mobilirios (CVM).



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