Empresas se unem em busca de conectividade


Ao comprar uma máquina agrícola com inúmeros recursos para capturar, analisar e gerenciar os dados da lavoura, o produtor esbarra em algo além do preço de toda essa tecnologia. Para fazer pleno uso desses recursos, é preciso conexão com a internet de boa qualidade e, preferencialmente, que alcance a maior parte da propriedade. E, como, se sabe, internet móvel e sinal de telefonia celular não são uma realidade para a maior parte das áreas rurais.

De acordo com dados divulgados pela fabricante Case IH (do grupo New Holland Industrial) a partir de levantamento da Nokia, apenas 7% da área rural brasileira tem cobertura de telefonia móvel. Mas como vender máquinas com recursos como Inteligência Artificial e de dispositivos abarcados sob o nome Internet das Coisas (Iot) se o acesso à internet é fraco ou mesmo inexistente? É essa necessidade, do produtor e do mercado, que pode dar origem a uma nova onda de avanços digitais no agronegócio. Anunciada nesta semana na Agrishow, a plataforma Conectar Agro une até mesmo concorrentes como a AGCO, CNH Industrial e Jacto, que se associaram à Climate FieldView (da Bayer), Nokia, Solinftec, TIM e Trimble para encontrar uma solução a esse empecilho.

A instalação de antenas com sinal de telefonia e internet cobrindo 30 mil hectares de área ainda é acessível a poucos, mas poderá se expandir por meio de cooperativas e associações. O custo para a instalação dessa antena, de acordo com dados da Conectar Agro, é equivalente entre 25% e 50% do valor da saca de soja, conforme a região. Ou seja, a instalação desse recurso pode custar entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão.

« Já temos 800 mil hectares atendidos dessa forma, e devemos chegar a 5 milhões de hectares até o final de 2019. Uma alternativa para reduzir os valores é por meio de associações e cooperativas. Temos tratativas com cooperativas do Paraná e do Rio Grande do Sul, inclusive », explica o diretor de tecnologias digitais da CNH Industrial, Gregory Riordan.

Inicialmente, a rede de internet para esse fim será da rede 4G na faixa de 700MHz. De acordo com Alexandre Bernardes, diretor de relações institucionais e governamentais da CNH Industrial, o fim do sistema de transmissão do sistema de televisão analógico é um componente que ajudará a melhorar a conexão nas zonas rurais. Sem o sistema analógico, explica, a faixa de frequência de transmissão, que antes era destinado a esse fim, poderá ser utilizada agora para levar a internet ao campo.

« Levar a conexão ao campo não é apenas uma questão econômica e de interesse das empresas, é também uma questão social, que envolve tanto a educação no campo quanto permitirá que o filho do produtor rural possa acessar os mesmos games on-line que meu filho, que mora na cidade », exemplifica Bernardes, que também é vice-presidente da Associação Brasileiras de Fabricantes de Veículos automotores.

Entre muitas grandes colheitadeiras, tratores e pulverizadores expostos na Agrishow, uma pequena retroescavadeira chamou atenção do público. E não foi pela alta tecnologia embarcada, mas pelo projeto direcionado a portadores de deficiência. Fabricando pela New Holland Construction, a retroescavadeira B95B Acessível foi desenvolvida na fábrica de Contagem (MG) e projetada para oferecer ao operador com mobilidade reduzida as mesmas condições de trabalho, conforto, performance e praticidade da retroescavadeira B95B convencional.



Source link

A lire aussi

Laisser un commentaire