Dólar avança com ambiente externo e disputas internas do governo Bolsonaro


A conjugação de ambiente global de aversão ao risco com temores de diluição da reforma da Previdência, na esteira de disputas internas no governo Jair Bolsonaro, fez com que o dólar subisse mais um degrau nesta terça-feira (7), emendando o segundo pregão consecutivo de alta. Com valorização de 0,29%, a moeda americana fechou cotada a R$ 3,9694. Na semana, o dólar já sobe 0,77%, o que leva a valorização acumulada em maio a 1,23%.

A moeda americana já iniciou os negócios em alta e chegou a correr até a máxima de R$ 4 ainda pela manhã. Operadores notaram um forte movimento especulativo com dólar futuro, desencadeado pelo aguçamento das tensões entre as alas militar e olavista do governo. A percepção de balbúrdia no governo, que dava força à tese de falta de articulação política, prenunciava uma tramitação acidentada da reforma na comissão especial, levando a uma desidratação acentuada do texto do governo. O movimento especulativo ainda contava com o pano de fundo externo de valorização global do dólar, em meio a um movimento de aversão ao risco provocado pelas tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

As apostas a favor da moeda americana amainaram ao longo da tarde. A corrida ao dólar até os R$ 4 trouxe exportadores ao mercado e deu início a um movimento de realização de lucros de posições comprados. « O mercado aproveitou essa confusão no governo e a alta lá fora para testar a barreira dos R$ 4. Foi mais um movimento especulativo. Bastou bater nessa resistência de R$ 4 para trazer os vendedores e o dólar voltar », diz Marcos Trabbold, diretor operacional da B&T Corretora.

Além da moderação dos ganhos da moeda americana no exterior, operadores citaram como pontos que contribuíram para a perda de fôlego do dólar o início dos trabalhos da comissão especial da Câmara e a MP dos Ministérios. O relator da reforma da Previdência na comissão, Samuel Moreira (PSDB-SP), propôs um plano de trabalho com realização de 10 audiências públicas até o dia 29 de maio. A votação do parecer na comissão seria realizada em junho e, em seguida, o texto seguiria para o plenário da Câmara. O pontapé inicial da agenda será dado nesta quarta, com audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Já o parecer do relator da MP dos Ministérios em Comissão Mista do Congresso, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), trouxe, em concordância com o governo, a recriação dos ministérios das Cidades e Integração Nacional. Abre-se espaço no governo a ser ocupado por partidos do Centrão, fundamentais para a tramitação da reforma no Congresso.

Para o operador de câmbio Cleber Alessie, da H.Commcor, na ausência de um sinal inequívoco de força do governo no Congresso, a moeda americana tende a se manter pressionada e oscilar conforme o vaivém do ambiente externo. « O mercado está míope, com foco na Previdência. Mas já não há aquele otimismo do início do ano. Lá fora, estão recalibrando as posições com essa questão da China e dos Estados Unidos, o que influencia o mercado local », diz Alessie.



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