Temor com reforma e exterior empurra Ibovespa para abaixo de 91 mil pontos


A cautela vigora na Bolsa brasileira nesta quarta-feira, 15, e o principal índice à vista iniciou o dia aquém dos 92 mil pontos, aprofundando a queda em seguida e já abandonando esse nível. Às 11h34min, cedia 1,48%, aos 90.733 pontos, depois de subir 0,40% nessa terça-feira (14), aos 92.092,44 pontos. Das 66 ações, apenas duas subiam ( Vale ON, 0,92%; e Bradespar PN; 0,64%)

As notícias sobre números mais fracos da economia chinesa e dos Estados Unidos se somam às atenções que continuam em relação à guerra comercial entre os dois países, além dos desdobramentos sobre a reforma previdenciária brasileira.

Para completar, há pouco, a CSN informou que ocorreu um acidente na aciaria de Volta Redonda (RJ). Os papéis da empresa caem acima de 2,00%.

O desempenho negativo do Ibovespa é bem mais expressivo que o visto em Nova Iorque. O Dow Jones, por exemplo, cai na faixa de 0,60%.

Por aqui, a dificuldade do governo em avançar na articulação da reforma previdenciária continua deixando o mercado cauteloso à medida que o tempo vem passando e não se tem ideia de quando a medida poderá ser aprovada e qual será o teor do texto. Desta forma, algumas autoridades têm se manifestado em defesa da reforma.

Há pouco, em evento em Nova Iorque, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o problema do Brasil não está na PEC do teto de gastos, mas nas despesas obrigatórias, que representam quase 95% do dispêndio primário do Poder Executivo. « Nos últimos 30 anos, o Estado no país foi capturado por corporações públicas e privadas », disse. « Caminhamos para o colapso fiscal e se nada for feito, podemos chegar ao colapso social. »

Também nos EUA, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que, a partir de reforma da Previdência, o Brasil sinalizará um norte para avanço da economia. O presidente do STF, Dias Toffoli, também saiu em defesa, afirmando que a reforma é necessária e, a tributária, « fundamental ».

Somada a essa preocupação, o clima de instabilidade no governo é também acompanhado com afinco nesta quarta em que se espera pelo depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no plenário da Câmara para explicar o bloqueio de verbas para educação (15 horas) em dia de paralisação em todo o País contra a medida.

Para o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada, por ora não há fatos novos lá fora e aqui que permitam um comportamento diferente da cautela. « Tudo o que tem surgido não ajuda. Todo dia surgem sinais de fragilidade », diz, ao referir-se à dificuldade do governo em avançar nas negociações a respeito da reforma previdenciária.

Na seara técnica, hoje é dia de vencimento de opções sobre Ibovespa. Porém, Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM, ressalta que isso pode não ter força para direcionar os negócios. « A tendência é de queda. O vencimento não deve animar muito a Bolsa », diz.



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