Desemprego aumenta em 14 das 27 unidades


Na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego subiu de forma estatisticamente significativa em 14 das 27 unidades da Federação, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As maiores taxas de desemprego foram registradas no Amapá (20,2%), na Bahia (18,3%) e no Acre (18,0%). No Rio de Janeiro, a taxa de desemprego ficou em 15,3% e, em Minas Gerais, em 11,2%. Em São Paulo, motor da economia do País, houve elevação de 12,4%, no quarto trimestre de 2018, para 13,5% no primeiro trimestre deste ano. As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (7,2%), no Rio Grande do Sul (8,0%) e no Paraná e em Rondônia (ambos com 8,9%).

A taxa de desocupação no total do País no primeiro trimestre de 2019 foi de 12,7%, ante 13,1% no primeiro trimestre de 2018, como já havia divulgado o IBGE no fim de abril. No quarto trimestre do ano passado, a taxa de desocupação era de 11,6%.

São 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre, e um quarto deles está há dois anos ou mais em busca de trabalho. Do total de desempregados no primeiro trimestre, 24,8%, ou 3,319 milhões de pessoas, estão nessa condição há dois anos ou mais.

Outros 6,074 milhões de trabalhadores estão desempregados de um mês a menos de um ano, o equivalente a 45,4% do total de desempregados, enquanto 2,108 milhões (15,7%) buscam trabalho há menos de um mês e 1,886 milhão (14,1% do total) o fazem de um ano a menos de dois anos. A maior taxa de desemprego foi registrada no Nordeste, onde 15,3% das pessoas com mais de 14 anos procuraram emprego no primeiro trimestre.

De acordo com o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo, os dados mostram que a crise no mercado está espalhada por todo o País e não dá sinais de recuperação. « É uma crise generalizada », afirmou.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o desemprego cresceu em quatro estados – Roraima, Acre, Amazonas e Santa Catarina – e caiu em três – Ceará, Minas Gerais e Pernambuco. Nessa base de comparação, a taxa de desemprego no País caiu 0,4 pontos percentuais.

Nos primeiros três meses de 2019, a taxa de subutilização da força de trabalho brasileira bateu recorde, chegando a 25%. No total, 28,3 milhões de brasileiros estavam sem trabalho ou trabalhavam menos do que gostariam. A taxa de subutilização é superior a 40% no Piauí, no Maranhão e na Bahia.

Azeredo chamou a atenção para os efeitos da cor da pele no desemprego do País. Segundo os dados do IBGE, 63,9% do total de 13,387 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre são pretos e pardos. Com isso, a taxa de desemprego entre as pessoas de pele preta ficou em 16,0%, ante a média nacional de 12,7%. Já a taxa para as pessoas de pele parda foi de 14,5%, enquanto, entre os brancos, ficou em 10,2%.

No primeiro trimestre de 2012, quando havia 7,6 milhões de desempregados, pretos e pardos representavam 59,1% do total de pessoas desocupadas, ou seja, o desemprego atingiu mais essa parcela da população. « Em sua maioria, a população de pretos e pardos é de baixa renda. O avanço expressivo (no desemprego) é porque os cortes de vagas foram maiores nos canteiros de obra, e outros empregos que atingem os mais pobre », afirmou Azeredo.

Em Dallas, Bolsonaro diz que h mais desempregados do que os 13 milhes citados pelo IBGE

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o IBGE sobre as estatsticas de emprego. Segundo o IBGE, o desemprego cresceu em 13 estados brasileiros e no Distrito Federal no primeiro trimestre do ano, quando atingiu 13,4 milhes de trabalhadores.

Para Bolsonaro, o IBGE est errado, porque h mais brasileiros desempregados. Em seu segundo e ltimo dia da viagem a Dallas, nos EUA, Bolsonaro afirmou que muitas dessas pessoas nunca vo conseguir se recolocar por causa das falhas de qualificao no Pas.

« Se fala em milhes de desempregados. Tem at mais do que isso. O IBGE est errado, tem muito mais do que isso. Agora, em parte, essa populao no tem como ter emprego porque o mundo evoluiu. No esto habilitados a enfrentar um novo mercado de trabalho, a indstria 4.0. Como que voc vai empregar esse pessoal? », disse ele. « Tenho pena. Fao o que for possvel, mas no posso fazer milagre, no posso obrigar ningum a empregar ningum. »

A pesquisa do IBGE tambm mostrou que a dispensa de trabalhadores temporrios no primeiro trimestre deste ano foi a maior em sete anos. Bolsonaro voltou a afirmar que a vida do empresrio ruim, mas disse que h problemas tambm para quem empregado.

« Eu digo para todo mundo: no fcil a vida de ser patro no Brasil. Estar empregado tambm no fcil. O salrio muito para quem paga, pouco para quem recebe. A garotada est a se formando, bota um papel na parede (diploma), em parte, digo, em parte, que no serve para nada. At jornalista, a gente j teve contato no passado com uma colega de vocs jornalista que tem o portugus pior do que o meu. assim que est sendo formada a nossa juventude no Brasil. Isso tem que mudar. »

No a primeira vez que Bolsonaro critica a pesquisa do IBGE que mede o desemprego no Pas. Em entrevista Rede TV no incio de abril, questionou o fato de o IBGE considerar desempregado quem no procura emprego – o chamado desalentado.

A pesquisa do IBGE segue padres internacionais e mede, alm do desemprego, o desalento, que ocorre quando um trabalhador quer um emprego, mas desiste de procurar uma vaga porque acredita que no vai conseguir uma colocao. O desalento est em nveis recordes no Pas, por causa da crise econmica. So os brasileiros que buscaram uma vaga na semana da pesquisa do IBGE, mas no encontraram. No Pas, 4,8 milhes so considerados desalentados.

Entre os que fizeram algum tipo de trabalho, mas que dedicaram menos de 40 horas semanais a isso e gostariam de trabalhar por um perodo maior, so 6,8 milhes.



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