Calçadistas miram reposicionamento de marcas para respiro do setor


Ainda sem a perspectiva de melhora da economia brasileira no horizonte, o jeito encontrado pela indústria tem sido se reinventar. O setor calçadista, que no ano passado chegou a reduzir operações no Rio Grande do Sul, mira agora novas estratégias para garantir posição no mercado nacional. No primeiro trimestre de 2019, a produção de calçados caiu 2,6% no País, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deixando em alerta o segmento que tem o mercado interno como destino de mais de 85% da sua produção.

Ainda assim, o Salão Internacional do Couro e do Calçado (SICC) abriu com otimismo e corredores lotados em Gramado, na Serra Gaúcha. « A vantagem do setor calçadista é que a cada seis meses ele se reinventa », avalia o presidente do conselho deliberativo da Abicalçados, Caetano Bianco Neto, lembrando a sazonalidade da moda, que se adequa a cada coleção. Por isso, o SICC serve de termômetro para o segundo semestre. « Abrimos uma temporada importante de feiras, que além de tudo inaugura um momento novo no País de troca de governo », complementou o diretor da Merkator, Frederico Pletsh, que realiza a feira.

Junto com o mercado desaquecido – o volume de vendas de calçados caiu 0,5% de janeiro a março ante o mesmo período do ano passado – outro desafio é a diversidade de marcas no mercado. Para empresas como a Usaflex, de Igrejinha, a aposta tem sido em intensificar ações de marketing e focar em tecnologias que melhorem o produto, tornando-o referência para o consumidor. « O mercado está vivendo a ‘onda do conforto’, mas sabemos que é uma produção que precisa de expertise e isso já temos no nosso DNA », afirma o CEO da fabricante, Oscar Sala Neto. Este ano, a Usaflex estreou no e-commerce e chegou à marca de 200 franquias, com objetivo de atingir 350 nos próximos cinco anos. « Também aumentamos nossa verba de marketing e entramos em frentes importantes, como o Big Brother Brasil », cita Neto.

Salão Internacional do Couro e do Calçado abriu com otimismo e corredores lotados. Foto SICC/Divulgação/JC

Dar frescor a marcas já conhecidas também desponta como alternativa para conquistar novos públicos. Exemplo da Azaleia, que passa por uma reestruturação da marca desde a contratação do estilista Alexandre Herchcovitch como head de estilo. A companhia voltou ao SICC este ano lançando a primeira linha do estilista para a Azaleia. « Apesar da turbulência forte do mercado, estamos sustentando o crescimento da companhia com o reposicionamento do feminino e com a aquisição da Under Armour Brasil », cita Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras Azaleia, que também é dona da Olympikus.

Apesar de ter fechado quatro unidades fabris no Rio Grande do Sul no ano passado, em Nova Petrópolis, Osório, Parobé e Santo Antônio da Patrulha, a Bottero aumentou o ritmo de lançamento das « coleções meio », entre uma estação e outra, e das coleções cápsula, com modelos limitados, para quebrar a ociosidade das linhas de produção. « A empresa cresceu muito de 2007 a 2012, mas nos últimos três anos não experimenta crescimento e, por isso, trabalha com readequação de trabalho ao mercado novo », justifica o executivo Luiz Roberto Bianchi, responsável pela imagem institucional da empresa. Entre as apostas no radar da Bottero está a ampliação das lojas-conceito, espaços para a marca estar mais perto das consumidoras e apresentar as coleções de forma mais ampla, sem competir com o lojista tradicional.

Volatilidade do dólar ainda compromete exportações do setor

Apesar da valorização da moeda norte-americana frente ao real, o que, em partes, impulsiona as vendas do produto brasileiro para destinos internacionais, a instabilidade do câmbio ainda é um problema para o setor. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor vem perdendo força nas exportações desde 2013. De janeiro a abril, foram exportados 44,16 milhões de pares por US$ 343,8 milhões, incremento de 9,4% em pares e queda de 0,1% em dólares. No passado foram exportados 119 milhões de pares por US$ 976 milhões – queda de 10% ante 2017, quando a base de comparação já havia sido fraca.

Para representantes do setor calçadista, a volatilidade ainda é um problema para o comércio exterior deslanchar. Além disso, os insumos também são balizados pelo câmbio. « Estipularam-se preços para uma moeda na base de R$ 3,60 e R$ 3,70 e, de repente, o dólar bateu em R$ 4,00. A mudança brusca abre margem para o próprio importador querer renegociar preços », exemplifica Haroldo Ferreira, diretor executivo e próximo presidente anunciado da Abicalçados.



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