Ibovespa sobe 1,61%, e dólar à vista cai 0,29%


O noticiário político de ontem reforçou o clima mais otimista em relação à aprovação da reforma da Previdência e deu fôlego para o Índice Bovespa alcançar nova alta significativa, reconquistando o patamar dos 96 mil pontos. Após o feriado dos Estados Unidos, investidores estrangeiros voltaram às compras e levaram o índice aos 96.392 pontos, com alta de 1,61%, na contramão das bolsas de Nova Iorque. Os negócios na sessão foram robustos e somaram R$ 24,509 bilhões.

Os principais sinais de Brasília que repercutiram positivamente nos negócios foram a busca do governo por um pacto entre os Três Poderes em favor das reformas e do crescimento econômico, e a iniciativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de pedir a antecipação do relatório da reforma da Previdência.

Outro fator de grande relevância na alta do Ibovespa foi a queda das taxas de juros no mercado futuro, com apostas crescentes de corte da taxa Selic neste ano, em virtude do ritmo fraco da economia. As quedas das taxas futuras colocaram em evidência a alta das ações dos setores financeiro e de varejo. A lógica na compra desses papéis é simples: juros menores, maior demanda por crédito e aumento do consumo interno.

Entre os papéis financeiros, destaque para Itaú Unibanco PN ( 2,81%), Bradesco PN ( 2,76%) e B3 ON ( 2,97%). Entre as varejistas, as que se sobressaíram foram B2W ON ( 6,57%), Magazine Luiza PN ( 6,18%), Lojas Renner ON ( 3,58%) e Via Varejo ON ( 3,52%).

Com o resultado desta terça-feira, o Ibovespa zerou as perdas de maio, passando a contabilizar ganho de 0,04%. No dia 17, quando o índice chegou à sua menor pontuação do ano (89.992 pontos), a perda acumulada no mês era de 6,60%. Mantido o viés positivo até quinta-feira, o Ibovespa terá seu primeiro resultado positivo em maio nos últimos 10 anos.

A melhora do ambiente político em Brasília, e a perspectiva positiva para o avanço da reforma da Previdência, ajudou o real a se descolar de outras moedas de países emergentes e ganhar força em relação ao dólar. A moeda norte-americana subiu ante divisas fortes, como o euro e a libra, por conta de estresse no mercado internacional com a situação fiscal da Itália, e moedas como o peso mexicano e o rublo da Rússia, mas caiu 0,29% perante o real, terminando o dia em R$ 4,0235. Operadores ressaltam ainda que a entrada de um fluxo de dólares de exportadores também contribuiu para reforçar a valorização do real.

Profissionais de câmbio destacam que declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, pedindo para o relator da comissão especial antecipar apresentação do texto da reforma da Previdência, aliadas ao anúncio, pela manhã, de que os Três Poderes pretendem firmar um pacto com um conjunto de ações para retomar o crescimento provocaram o desmonte de posições mais defensivas das mesas de câmbio, estimulando a venda do dólar e algum desmonte de apostas contra o real no mercado futuro.

« O entendimento, a harmonia é positiva entre Poderes, mas o mais importante é as coisas começarem a andar », afirma o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do Banco Central (BC). Se esse pacto for acompanhado de aprovação da Previdência, ele ressalta que pode ter efeito positivo no Produto Interno Bruto (PIB). O Itaú prevê aprovação da reforma no segundo semestre, com economia fiscal entre 50% e 75% do texto original (R$ 1,2 trilhão).

O analista de moedas emergentes do banco alemão Commerzbank, You Na Park-Heger, afirma que permanece « cautelosamente otimista » com as chances de aprovação da Previdência, apesar dos recentes ruídos políticos entre o Planalto e o Congresso. Ela vê chance de o dólar testar níveis de R$ 3,60 no final do ano, se o governo conseguir aprovar medidas previdenciárias com impacto fiscal ao redor de 60% do previsto no texto original.



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