Nova venda de ações do Banrisul divide opiniões


O anúncio da intenção do governo de Estado de fazer nova venda de ações ordinárias do Banrisul, com o que poderia reforçar o caixa em cerca de R$ 2,3 bilhões, levando em conta a atual cotação da BRSR6, em cerca de R$ 22,70, registrado no final desta quinta-feira. No comunicado ao mercado, no dia 12 de junho, o governo afirmou ter a intenção de venda, sem especificar a data.

Como tradicionalmente ocorre na oferta de lotes de ações do banco, ou mesmo na possibilidade de, há defensores e opositores do negócio. Entre os opositores está o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zé Nunes (PT), para quem a venda poderá significar a diminuição da participação do Rio Grande do Sul de 49,39% do capital total do Banco para 25%. Assim, segundo Nunes, governo estaria abrindo mão de mais da metade dos lucros e dividendos que poderia receber.

“O governo Leite vende o futuro para pagar o presente. Com mais essa venda fica claro que o Banrisul virou o caixa automático do Piratini”, criticou Nunes.

Para o analista-chefe da Geral Asset, Carlo Müller, com o fato relevante publicado corretamente, ao contrário do que foi feito em 2018, quando o mercado foi pego de surpresa pelo leilão das ações, a atual oferta não se tem problemas legais. “Pelo valor patrimonial, as ações preferencias do banco valem cerca de R$ 18, então uma venda no atual patamar de preços não é um problema. E também não creio que essa venda poderia desvalorizar o valor do banco em eventual privatização futura”, avalia Müller.

Já Zenith Asset Management, que tem ações do Banrisul, é crítica desse tipo de controla, pelo lado do investidor e do Estado. Sócia-proprietária da Zenith, Débora Morsch avalia que a venda, caso ocorra, implicará perdas e prejuízos ao Estado. Débora avalia que, ao vender as cerca de 100 milhões de ações possíveis para ainda manter o controle, o governo obterá no máximo R$ 18, o mínimo ao equivalente patrimonial. E ainda considerado que o governo acabará tendo de privatizar o banco caso queira aderir ao plano federal de recuperação fiscal, as futuras ações têm potencial para saltar aos R$ 50, no mínimo.

“Ou seja, quando isso ocorrer, o governo terá colocado foram R$ 30 por ações, para mais. Estaria optando por arrecadar pouco mais de R$ 2 bilhões agora em lugar de mais de R$ 10 bilhões”, avalia Débora.

Procurado para comentar o fato relevante e as críticas ao anúncio, por meio de nota enviada pela Secretaria da Fazenda o governo afirmou que “Tendo em vista a autorização do Conselho Diretor do Programa de Reforma do Estado (CODPRE), do último mês de maio, o governo do Estado esclarece que contratou o Banrisul para a coordenação de propostas de eventual colocação do excedente acionário do Banco mediante oferta pública de ações. Reforça também que não há nenhuma operação aprovada neste momento e que somente estão sendo feitas análises coordenadas pelo Banrisul de uma eventual operação”.

Questionado sobre qual o cálculo feito para se certificar de que o valor que pode obter com a venda das ações é maior do que o que receberia em lucros e dividendos do banco, como questiona o deputado Zé Nunes, porém, o governo não se pronunciou até o momento.



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