Empresários querem o fim do mínimo regional


Defendendo o fim da intervenção do governo na economia e também a extinção do salário-mínimo regional, dirigentes de entidades representativas da indústria, comércio e serviços não concordam com a proposta de alta de 8,12% do piso reivindicada por centrais sindicais e que está sendo estudada pelo governo do Estado. O projeto que definirá o novo valor do salário-mínimo gaúcho deve ser enviado ainda em fevereiro para a Assembleia Legislativa.

« Para nós, lojistas, seria melhor que não existisse o piso regional, inclusive já temos um piso, cujo reajuste foi fechado em convenção coletiva em novembro do ano passado », comenta o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse. « Não há clima para aumento, uma vez que não há crescimento da economia, apesar de muito se falar nisso », dispara o dirigente.

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, adianta que a entidade vai agir. « A Fecomércio-RS vai se manifestar pela extinção do piso regional, que não tem mais sentido existir por diversos motivos. »

De acordo com o dirigente, mesmo que permanecesse congelado, o salário-mínimo regional estaria 18% acima da média paga pela iniciativa privada no Brasil – já considerando o último aumento do mínimo nacional. « O piso regional foi criado para que alguns estados tivessem mais capacidade financeira e produtividade, e fosse utilizado pelas categorias que não têm negociação coletiva – no entanto, foi generalizado aqui no Rio Grande do Sul. »

Para a presidente da Federasul, Simone Leite, o piso e os reajustes excessivos « colocam em risco » quem está empregado e aumentam a taxa de desocupação, cortando vagas. « Um estado com mais de 500 mil pessoas sem trabalho tem que se preocupar com o aumento da informalidade que esse piso cria, diminuindo ainda mais a competitividade de quem se mantém com negócios no Rio Grande do Sul. » Para a dirigente, um aumento de empregos formais em cada família representaria consumo com estabilidade e um « ciclo virtuoso na economia e na qualidade de vida das pessoas ».

O coordenador do Conselho de Relações de Trabalho da Fiergs, Thômaz Nunnenkamp, comenta que recebeu a notícia com « um misto de preocupação e espanto ». Ele observa que, « mesmo com o crescimento real de 51% do piso regional entre os anos de 2007 a 2019 », a economia gaúcha não tem fôlego para sustentar os reajustes anuais. Segundo Nunnenkamp, a Fiergs considera que a vigência do salário-mínimo regional encarece os produtos e os serviços gaúchos frente à maioria dos estados brasileiros que não adotam a prática. « Perde-se em competitividade, o que significa menos empregos. Essa diferença inviabiliza ocupação na empresa ou pressiona custos, repercutindo no organograma de carga dos salários. Somos contra a intervenção do governo em questões privadas, não é na caneta que se resolve problemas econômicos. »

 





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