ATeG melhora a gestão no campo


Com investimento previsto de R$ 34 milhões até o final do ano, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) deu início, nesta segunda-feira, ao seu programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Focando na melhoria da gestão das propriedades rurais, especialmente financeira, a meta é ampliar a renda de 10 mil famílias do campo, particularmente agropecuaristas de médio porte. O lançamento do programa ocorreu no Sindicato Rural de Camaquã, com o direcionamento para a pecuária de corte.

Os primeiros pecuaristas atendidos no Rio Grande do Sul (o ATeG já funciona há cerca de três anos em outros estados) são os irmãos Celso e Rosane Bratz. Além de soja e arroz, a propriedade da família abriga 750 cabeças de gado em cerca de 500 hectares de um total de 2 mil hectares.

Mas os controles dessa atividade ainda precisam ser aprimorados, dizem os irmãos. « Temos todos os dados e controles, mas não fazemos um bom cruzamento desses números. Acabamos juntando tudo na conta dos grãos, sem diferenciar e saber direito o que é de uma atividade e o que é de outra », explica Rosane, responsável pelos controles da Granja Cariola.

A assessoria gratuita oferecida pelo programa inclui uma visita mensal durante dois anos, com basicamente seis pilares de trabalho: diagnóstico da propriedade, planejamento estratégico, adequação tecnológica e formação complementar para melhorias processuais e análise sistêmica de resultados. Mais de 3 mil agropecuaristas interessados já se cadastraram no ATeG e começam, agora, a receber as primeiras visitas dos técnicos conveniados ao Senar, e novos produtores poderão se cadastrar no programa a partir de abril, por meio dos sindicatos rurais locais.

« Vamos trabalhar com aproximadamente 400 técnicos. Em Goiás (onde o programa já está em operação há mais tempo), há produtores que reduziram os custos em 30% e ainda dobraram a produção de leite. Mas claro que os ganhos com esse apoio técnico mudam conforme o estágio de gestão de cada propriedade », diz Eduardo Condorelli, superintendente do Senar-RS.

De acordo com Fernando Schwanke, secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, presente no lançamento do ATeG, os cerca de 500 mil produtores de médio porte no Brasil têm conseguido um ganho médio R$ 470,00 por hectare, ante mais de R$ 800,00 obtidos por agricultores e pecuaristas de menor porte. Reduzir essa diferença de ganhos por meio de melhores controles financeiros e de gestão poderia incrementar o PIB brasileiro em 3%.

« Esse produtor de médio porte é o mais carente de assistência técnica. De acordo com o censo agropecuário do IBGE feito em 2017, apenas 20% dos produtores contam com algum tipo de assessoria técnica », ressaltou Schwanke, lembrando, contudo, que no Rio Grande do Sul esse percentual é maior graças à atuação de cooperativas, da Emater e de sistemas integrados de produção.

O presidente da Federação Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira, avalia que o trabalho do Senar, bastante focado, até então, na qualificação de trabalhadores e funcionários das fazendas, precisava ser levado aos gestores e proprietários. Apesar da produtividade crescente das lavouras e da pecuária, ainda há carência de melhorar a rentabilidade e a economia rural, analisa Gedeão.

« É claro que a qualificação dos trabalhadores ajudou, sem dúvida nenhuma, no desenvolvimento do agronegócio. Já elevamos nossas produtividades quase ao seu ápice, mas ainda falhamos na gestão financeira do negócio, em muitas casos. Temos problemas com números », alerta o presidente da Farsul.

No rol do problemas na administração do campo, complementa Gedeão, entra a falta de planejamento futuro. Ele cita como exemplo a atual estiagem, que deixou muitos agricultores em dificuldades financeiras. Os danos no setor de grãos seriam menores se houvesse o hábito de fazer uma reserva de dinheiro nos períodos de bons negócios. A atual crise causada pela estiagem, após sete anos sem grandes adversidades climáticas, é citada por Gedeão como prova de que grande parte dos produtores rurais não pensa no período de « vacas magras ».

« Muitos não aproveitaram esse tempo para criar reservas financeiras. Movidos pela emoção, e não pela razão, compraram colheitadeiras e tratores que podem custar R$ 1 milhão. Só de juros pagam por isso

R$ 100 mil, levando em conta os 9,5% ao ano. E, em muitos casos, sem realmente precisar dessa máquina ou saber usá-la », alerta Gedeão.




Como funcionar o programa de Assistncia Tcnica e Gerencial (ATeG) no Rio Grande do Sul




Sero atendidos, inicialmente, mais de 3 mil produtores vinculados a 107 sindicatos rurais em todo o Estado, contemplando quatro cadeias produtivas.

Alm de Camaqu, o ATeG comea, agora, suas aes em Manoel Viana (agricultura de gros), Bento Gonalves (bovinocultura de leite) e Pedras Altas (ovinocultura).

Em todo o Brasil, j foram definidos 23 segmentos produtivos para receber o programa ATeG, por meio do qual o Senar-RS prestar assistncia tcnica atravs da contratao de empresas que foram credenciadas previamente atravs de edital.

Os tcnicos das empresas contratadas so profissionais das reas de agronomia, medicina veterinria ou zootecnia e tem experincia com assistncia tcnica.

Para participar do programa ATeG, os produtores devem atuar em uma das quatro cadeias atendidas (bovinocultura de leite e de corte, ovinocultura ou agricultura de gros), procurar o sindicato rural que faz a pr-seleo dos participantes interessados e, posteriormente, encaminhar as informaes dos produtores para o Senar-RS. Os atendimentos sero feitos conforme os novos grupos forem formados.





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