Alívio externo puxa alta do Ibovespa; instabilidade é risco em dia de vencimento


Notícias de redução no índice de contaminação do coronavírus na China, que trazem alívio ao exterior, também estimulam ganhos ao Ibovespa nesta quarta-feira (12). Na terça, a Bolsa rompeu uma série de três quedas seguidas e fechou em alta de 2,49%, aos 115.370,61 pontos.

Às 12h10min, o Ibovespa subia 0,46%, aos 115.899 pontos.

Ainda que a epidemia continue a preocupar as nações, o fato de as autoridades estarem agindo desde o início, o que já estaria surtindo algum efeito, torna o ambiente um pouco mais leve, conforme especialistas.

O principal índice à vista da B3 acompanha o sinal positivo em Nova Iorque e na Europa. Porém, ocorre certa instabilidade interna por conta do vencimento de opções sobre Ibovespa nesta quarta. Até o momento, oscilou entre a mínima de 115.371,20 pontos e máxima de 116.148,26 pontos.

Além da valorização do mercado acionário externo, as commodities – minério e petróleo – dão força aos negócios.

O minério subiu 0,86% no porto de Qingdao, na China. Aliás, a Vale acionou nível 2 de emergência para barragem em Minas, em decorrência das chuvas na região. Segundo a empresa, o acionamento do nível 2 não terá impacto no plano de produção do primeiro trimestre.

Já as cotações do petróleo têm avanços acima de 3% diante do alívio por conta do coronavírus. A alta ainda pega carona na decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de diminuir a estimativa de aumento de 1,22 milhão de barris por dia (bpd) para 990 mil bpd, em razão da epidemia.

« O coronavírus foi um fator inesperado. Precisou de uma leitura mais clara quanto a contaminação na economia global, mas à medida que a OMS Organização Mundial da Saúde foi agindo e houve ação efetiva. O mercado enxergou que isso pode limitar um pouco os impactos negativos. Vai bater no crescimento, mas nada que possa comprometer, fazer com que o mercado global seja afetado de forma muito expressiva », observa Fernando Barroso, diretor da CM Capital.

Para Barroso, embora haja comprometimento da atividade chinesa e consequentemente da mundial, indicadores norte-americanos indicam que os Estados Unidos poderão minimizar tais impactos. « A economia americana deve debelar esse efeito do coronavírus », estima.

A Comissão Nacional de Saúde da China informou que foram reportados 2.015 novos casos de coronavírus no país, no segundo dia consecutivo de recuo nesse número. « Essa notícia é que deve dar o tom ao mercado », reforça um operador, citando ainda a disputa entre comprados e vendidos nesta quarta-feira.

A despeito do fraco resultado das vendas no varejo em 2019, o diretor da CM Capital vê pouco espaço para influência na B3 nesta quarta. Em sua visão, o exterior positivo, a indicação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue comprometido com o ajuste fiscal, a expectativa de avanço das reformas e de novas aberturas de capital na Bolsa são os fatores que devem dar sustentação aos negócios.

Neste cenário, a perspectiva de Barroso é que passado esse efeito negativo do vírus, a tendência é de sustentação dos preços, que deve ser amparada pela expectativa de continuidade da agenda de reformas, como a tributária, que está sendo desenhada.

Conforme ele, apesar de a reforma administrativa ter sido adiada, o processo de privatização no País já é uma sinal positivo. « A própria onda de IPOs é uma forma de recursos na economia, na atividade », afirma.





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