Clima afeta tamanho das maçãs nesta safra


O tamanho das maçãs gaúchas da safra 2019/2020 está mais reduzido neste ano, devido a fatores climáticos. No entanto, mesmo com frutas menores, o volume produzido em 2020 no Rio Grande do Sul deve crescer de 7% a 10%, alcançando até 520 mil toneladas. Essas são as expectativas da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã (Agapomi) para a colheita, que já está começando nas regiões produtoras dos Campos de Cima da Serra.

« Antes da estiagem, tínhamos uma expectativa de alcançar até 550 mil toneladas, pois tivemos um clima favorável para a cultura no inverno. Mas agora as frutas estão com um peso médio entre 105 e 110 gramas, ao invés dos 120 gramas que esperávamos », explica José Sozo, presidente da Agapomi. Entretanto, se o peso está menor, outras características estão mais animadoras. « As frutas estão mais doces e vermelhas do que no ano passado, detalhes que o consumidor valoriza bastante », afirma Sozo.

Para Celso Zancan, diretor de Operações da produtora e distribuidora de maçãs Rasip, de Vacaria, mais do que a estiagem, o principal fator para a redução do tamanho das maçãs foi o inverno ameno de 2019. « Todo o Hemisfério Sul está com frutas menores, inclusive na Argentina, onde há irrigação. Por isso, atribuo às temperaturas amenas do inverno a principal razão para a redução do tamanho, e não à estiagem », afirma. Zancan também destaca que, mesmo menores, as frutas possuem boa coloração, aspecto e sabor.

Entretanto, apesar das qualidades apreciadas pelo público, o calibre (tamanho) menor das frutas pode gerar perdas de receitas para os produtores. « Como o calibre é menor, muitas frutas podem não ser mandadas para o consumo in natura, mas serem destinadas para outros usos, como fabricação de suco, o que pode reduzir o faturamento », destaca Elson Schneider, coordenador da Comissão de Fruticultura da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

De acordo com a Agapomi, o Rio Grande do Sul possui 14,5 mil hectares de macieiras, divididos entre 450 a 500 produtores. O Estado é responsável por cerca de 45% da produção nacional de maçãs (cerca de 1,15 milhão de toneladas), atrás de Santa Catarina, com 50%. No entanto, os gaúchos realizam 80% das exportações brasileiras da fruta. « Os catarinenses têm uma produção forte da variedade fuji, que não é muito procurada no exterior por características de coloração, uniformidade e sabor. Aqui, plantamos mais a gala, que representa 70% da produção local e tem mais mercado », explica o presidente da associação.

Mesmo assim, a quantidade de exportações gaúchas ainda é pequena diante do total produzido: apenas 5% a 6% das frutas colhidas no Estado são vendidas no exterior. A redução do tamanho dos frutos pode prejudicar negócios com mercados premium, como a Europa. Mesmo assim, Sozo acredita que os resultados devem ser bons, devido às oportunidades em países da Ásia e ao ganho cambial com a alta do dólar. « A China, que é o maior produtor do mundo, com 40 milhões de toneladas (50% da produção global), está na entressafra. Temos boa aceitação em mercados que são tradicionalmente atendidos pelos chineses, como Paquistão, Bangladesh e outros países da Ásia, que compram frutas menores e de segunda qualidade », explica.

A Rasip tem a perspectiva de comercializar de 65 mil a 70 mil toneladas da fruta ao longo de 2020, sendo 55 mil provenientes de produção própria e o restante de terceiros. A empresa pretende exportar de 15% a 20% de suas maçãs. « O câmbio está muito favorável, e existem ótimas oportunidades em mercados como a Rússia, que é o maior importador global e está em conflito com a União Europeia, que é um grande produtor. Além disso, a Índia também vem abrindo boas possibilidades de negócios », afirma Zancan.





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