Bolsa perde mais de 4,5 mil pontos e volta aos 97 mil, de meados de agosto


A sexta-feira (6) é mais um dia de perdas relevantes para a Bolsa brasileira, que já iniciou o pregão cedendo quase 4,5 mil pontos em relação à véspera (102.233,24 pontos). Na quinta-feira (5), já tivera forte recuo, chegando a cair para a faixa dos 100 mil pontos na mínima do dia (100.536,15 pontos).

A desvalorização das bolsas europeias e dos índices futuros norte-americanos supera 3% em alguns casos, e o petróleo também não dá trégua, cedendo em torno de 4%, enquanto o minério caiu 2,57% na China.

Apesar de o clima ser desfavorável para a Bolsa como um todo, as ações de aéreas e commodities devem continuar sendo bastante penalizadas. Só neste mês, o recuo acumulado dos papéis da Azul estão perto de 14% e de mais de 19% no caso da Gol.

Às 10h40, o Ibovespa cedia 3,89%, aos 98.255 pontos. Apenas CVC (1,20%) e IRB (2,88%) subiam. A última vez que o Ibovespa esteve nesse nível foi em meados de agosto do ano passado.

O setor aéreo exibe perdas significativas com o travamento das viagens, colocando em risco a saúde financeira das companhias, descreve em análise o economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada.

As bolsas começam a refletir os maiores temores, com a extensão das perdas observadas na quinta. Em Wall Street, após recuarem mais de 3% na quinta-feira, os índices futuros apontam para quedas similares nesta manhã, cita. « Com a disseminação global de coronavírus, o sentimento agudo de aversão ao risco volta a dominar os mercados. Os impactos econômicos ainda pouco claros são cada vez mais temidos, com desdobramentos inevitáveis sobre as finanças corporativas. »

Para contornar os estragos da epidemia sobre os preços do petróleo, a Rússia propôs um pacote de estímulos em vez de ampliar os cortes na produção da commodity neste dia de encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

Em meio ao quadro incerto, investidores buscam ativos considerados mais seguros. O euro, por exemplo, sobe acima de 1%, se aproximando das máximas em sete anos. O dólar deve seguir no radar, após o 12º dia de alta. Ontem terminou com valorização de 1,56%, a R$ 4,6515, novo recorde histórico.

O espalhamento do coronavírus em países como Itália, Alemanha e Reino Unido compromete cada vez mais a perspectiva econômica. No Brasil, foram confirmados os primeiros casos de transmissão local de coronavírus e a ampliação da contagem da doença pelo Ministério da Saúde. Esse quadro reforça mais as expectativas de cortes agressivos na taxa do juro norte-americano. Agora, já fala-se em redução de 0,75 ponto porcentual no juro.

A despeito de muitos analistas considerarem inapropriado mudanças de posições bruscas nos mercados, a onda de reduções nas estimativas para o crescimento econômico mundial segue a todo vapor. Além disso, deve abrir caminho para diminuição nas expectativas para o Ibovespa, que ainda tem pela frente um cenário político tumultuado diante do impasse entre Planalto e Congresso, podendo atrapalhar as reformas.

A Necton Investimentos, por exemplo, mudou a projeção para o Ibovespa de 137 mil pontos para 129 mil pontos no fim deste ano, e alerta que graficamente se o principal índice à vista da B3 romper os 100 mil pontos, há suportes apenas em 95,7k e em 90 mil pontos.

« Nossa alteração se baseia na forte incerteza que os cenários traçados apresentam, que podem se alterar de forma abrupta, tanto para o lado positivo, quanto negativo », avaliam em nota os analistas Glauco Legat, Marcel Zambello, Gabriel Machado e Edison Kina.

Os profissionais lembram que nas duas últimas correções observadas no Brasil – greve dos caminhoneiros e « Joesley Day » – os preços se ajustaram de uma forma rápida, se recuperando em um curto espaço de tempo. « Entendemos que este cenário se mostra mais preocupante por conta do caráter global, mas há a possibilidade do surgimento de notícias positivas que impeçam a escalada do vírus e normalizem a situação (descoberta de uma vacina) », citam.

Apesar da revisão, ponderam que ainda acreditam no cenário otimista, o que ainda se traduz em uma alta de 26% com base no fechamento de ontem.






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