Acordo sobre matéria-prima é mais um passo para venda da Braskem


O recém-firmado acerto de abastecimento de nafta entre Petrobras e Braskem, com o foco em atender às unidades do grupo petroquímico localizadas nos polos da Bahia e do Rio Grande do Sul (Triunfo), é visto pelos agentes do setor como uma clara sinalização que o processo de alienação da Braskem será retomado. Essa percepção é embasada devido aos termos do novo acordo, que não prevê uma longa duração e define um preço mais competitivo de matéria-prima. A venda da companhia brasileira já foi tentada no passado, envolvendo a holandesa LyondellBasell, entretanto a transação não foi concretizada.

Os dois novos contratos de nafta fechados pela Petrobras e Braskem para atender aos polos gaúcho e nordestino garantem o fornecimento de volume mínimo anual de 650 mil toneladas do insumo, considerando o adicional máximo de até 2,8 milhões de toneladas por ano, com preço de 100% da referência internacional ARA (Amsterdã, Roterdã e Antuérpia – o custo médio da nafta nesses três grandes mercados). Com prazo de cinco anos, os acordos entram em vigor em dezembro de 2020, quando se encerra o contrato atual.

Para o diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, João Luiz Zuñeda, a movimentação foi mais um passo dado pelos controladores da Braskem (Odebrecht e a própria Petrobras) para preparar a venda da companhia petroquímica. O analista adianta que uma possibilidade para fazer essa alienação é através da bolsa de valores. Segundo Zuñeda, uma pista de que a ideia é a retomada do processo de venda da Braskem foi a retirada do « plus » que está sendo cobrado no contrato atual em cima do preço ARA (sobre o qual, hoje, incide um percentual de 102,1%). « Isso (a retirada dessa taxa extra) dá uma maior segurança para possíveis compradores », aponta o consultor.

Zuñeda acrescenta que o novo acordo realizado pelas empresas também pode ser considerado como de curta duração, já que, normalmente, os acertos quanto ao abastecimento de matéria-prima são mais longos do que cinco anos. Ou seja, esse modelo não « amarra » um eventual novo dono da Braskem a um compromisso mais extenso. Sobre custos das resinas produzidas a partir da nafta, o diretor da MaxiQuim destaca que os preços praticados no mercado brasileiro acompanham o cenário internacional. Zuñeda argumenta que os produtores locais, como a Braskem, não podem praticar valores muito maiores do que os concorrentes de outros países, pois acabariam perdendo espaço para importações.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Gerson Haas, considera como uma boa notícia o acerto celebrado entre Petrobras e Braskem. « Acredito que teremos preços mais estáveis (de matérias-primas), por um tempo mais longo », projeta. O empresário reforça que a Braskem precisava cumprir essa etapa para dar prosseguimento ao processo de venda da companhia. « Não adianta uma empresa ter ativos se não tem o fornecimento da matéria-prima. »

Outro ponto positivo do acordo, diz Haas, é que a tratativa firmada em meio à pandemia é uma prova que a cadeia do plástico se mantém ativa. O presidente do Sinplast-RS acrescenta, ainda, que o contrato entre Petrobras e Braskem prevê flexibilidade quanto aos volumes a serem fornecidos. Essa possibilidade permite à companhia petroquímica, caso perceba oportunidades, também utilizar outros insumos, como o gás etano, por exemplo, para produzir suas resinas termoplásticas.








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