Agências de viagem esperam retomada de negócios


Após amargarem uma forte redução de faturamento com a pandemia, as agências de viagens contam com uma retomada em 2021, especialmente em roteiros nacionais. Segundo Victor Almeida, vice-presidente administrativo da Associação Brasileira de Agência de Viagens no Rio Grande do Sul (Abav-RS), o retorno de compras de pacotes dentro do Brasil vem se fortalecendo.

“A retomada é tímida, mas acontece, especialmente para viagens nacionais, que estão se mostrando cada mais atrativas e ganhando impulso”, explicou Almeida, durante o Festival de Turismo de Gramado (Festuris). No caso das viagens internacionais, o fechamento de diversas fronteiras e as indefinições quanto aos rumos da pandemia de Covid-19 em vários países ainda impede o avanço de vendas. “Na Europa, por exemplo, está se falando em uma segunda onda da pandemia, e isso afeta quem já pensava em voltar a planejar viagens”, afirma.

Em todo o Brasil, a Abav representa mais de 2 mil agências de viagens. Segundo pesquisa da entidade, cerca de 8% das empresas do segmento tiveram que fechar as portas desde o começo da pandemia. As que restaram amargaram sérios prejuízos, com os efeitos da Covid-19 colocando mais um obstáculo nos negócios das agências, que já vinham sofrendo com a concorrência de vendas pela internet e com a alta cotação do dólar.

Um exemplo é a Tia Iara. Fundada em 1993, é uma das mais tradicionais agências de viagens de Porto Alegre, especializada em excursões de jovens e famílias para os parques de diversões da Flórida (EUA). “Estou aguentando essa situação por que construí um patrimônio ao longo de várias décadas. Mas usar esses recursos é como comer um saco de pipoca em frente à TV, de pouco em pouco se chega ao fundo”, explica a fundadora da agência, Iara Maria Pinheiro Mendonça, 80 anos de idade, e atuante no setor de turismo desde o começo da década de 1970.

Iara espera um retorno de negócios no primeiro semestre de 2021, projetando as viagens para as férias escolares de julho do próximo ano. “Para janeiro, o governo dos Estados Unidos ainda não deve liberar a entrada. Mas já tenho procura para grupos em julho do ano que vem”, afirma. A agência fez uma promoção, oferecendo pacotes em 15 parcelas de R$ 1.650,00 para os parques da Disney. “Isso já gerou efeito, e temos tido uma procura boa, tendo em vista todas as restrições”.

Tia Iara acredita que já haverá busca por pacotes em julho. Marcelo Beledeli/JC

Para incentivar a retomada do setor de turismo, a Abav tem defendido que os consumidores não cancelem viagens compradas, mas façam o adiamento dos pacotes. “Estamos pressionando as companhias aéreas e hotéis para ajudar aos clientes para remarcação. Essa campanha tem tido sucesso, pois das viagens compradas antes da pandemia, 80% foram remarcadas e apenas 20% o cliente optou pelo reembolso”, explica Almeida.








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